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domingo, 30 de setembro de 2012

Retratos e Miniaturas da corte

    A Reforma Protestante inspirada pelos ensinamentos de Martinho Lutero - provocou uma crise nas artes, pois as imagens católicas foram denunciadas como "idolatria". Os protestantes não condenaram toda a arte - era a arte religiosa católica a qual eram contra - mas isso significou que houve, de repente, muito poucas encomendas para os pintores. Alguns artistas se tornaram redundantes e alguns escolheram perseguir ocupações semelhantes ou, em alguns casos, diferentes.
   Hans Holbein o Jovem (1497-1543) trabalhou inicialmente no ateliê de seu pai em Augsburg, mas partiu cedo em sua carreira para viver em Basel. Em 1516, Holbein Havia começado a pintar retratos que eram delicadamente feitos de maneira realista. Entre 1517 e 1519, seu estilo se tornou perceptivelmente mais suave, mostrando como as inovações da Renascença Italiana estavam agora se infiltrando no norte. Em 1525, havia muito desconforto e luta em Basel à madida que a Reform começou a se espalhar pela Europa. Holbein decidiu ir para a Inglaterra e tomou um navio com uma carta de apresentação para o Tesouro do Rei, Sir Thomas More, de um de seus patrocinadores, o acadêmico holandês Erasmo.
    Apesar do Rei Henrique VIII estar comprometido com a Reforma Protestante, havia abertura na Inglaterra - um país que não possuia uma história de grandeza artística - para um artísta pintou um retrato da família More; isto foi um momento importante por ter sido a primeira vez que alguém pintava o retrato de um grupo de uma família em casa.
    Em uma segunda visita à Inglaterra em 1532, foi apresentado a Henrique VIII e produziu uma série de impressionantes retratos da corte, incluindo um do rei com sua terceira esposa, Jane Seymour. Um olhar sagaz, porém respeitoso , significou que ele conduziu uma fina linha entre o embelezamento de seus modelos e a exposição de suas verrugas e tudo; seu estilo objetivo, sem julgamento, fez com que permanecesse em sua posição como o principal artista na corte Tudor.
    Anos mais tarde, Holbein se voltou para a pintura em miniatura (ou colagem), organizando pequenos retratos da cabeça e ombros de seu modelo e escolhendo detalhes com um fino pincel. Seu único sucessor digno de menção foi um miniaturista inglês Nicolas Hilliard, que foi escolhido como miniaturísta e ourives pela Rainha Elizabeth I em 1562.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Fantasias Inventivas

Hieronymus Bosch (1450-1516) recebeu este nome da sua cidade natal holandesa de s'Hertogenbosch. Detalhes de sua vida são incompletos, apesar de ser sabido que era membro de uma irmandade religiosa local, um grupo católico trabalhando para a melhoria espiritual de sua cidade. Também desenhou vitrais. Se suas crenças religiosas eram bastante ortodoxas, entretanto, a maior parte de sua obra certamente não era. Se você considerar Van Eyck e Van der Weyden, os dois pintores mais influentes do Renascimento Nórdico, não há quase nenhuma similaridade com Bosch. A única influência estilística que pode ser ligada a Bosch são as histórias em miniatura encontradas dentro de manuscritos medievais iluminados.
       As pinturas de Bosch apresentam transcrições de cenas bíblicas nas quais ele ornamenta pesadamente com sua própria iconografia de signos, símbolos e alusões para expor as várias tentações que são colocadas para o homem e as temíveis consequências que podem resultar para o pecador. Sua obra é tanto um comentário notável e profundo sobre a condição humana quanto uma expressão de uma visão de mundo medieval; estes temas, combinados com um grande pessimismo e o tema do terror pelo inferno cristão, influenciaram a pintura religiosa até a Reforma Protestante do século XVI.
        Ao contrário de muitos de seus contemporâneos, Bosch não usava uma base de tinta, mas pintava diretamente no local, confiando em suas habilidades com o pincel. Jardim das Delícias Terrenas é um de seus trabalhos mais importantes, consistindo de uma série de quatro pinturas em painéis dobráveis. O painel central representa uma massa agitada de corpos humanos pálidos, delgados, procurando gratificação através do prazer sensual. Estes seres humanos inacabados, mas góticos, têm como propósito transmitir a mensagem moral. A extraordinária visão de Bosch incorpora vários elementos da fantasia bizarra como um desfile de criaturas meio humanas meio animais em um cenário fantástico com construções, parques e rios imaginários.
         A obra de Bosch foi admirada durante sua própria vida e Felipe II da Espanha foi um ávido colecionador por algum tempo depois da morte do artista. A obra cheia e energética de Bosch sem dúvida influenciou seu comtemporâneo, Pieter Bruegel, o velho. foi então esquecido até o século XIX, e redescoberto no século XX pelos surrealistas.


 Jardim Das Delícias Terrenas, Inferno (detalhe- painel direito), 1500 Hieronymous Bosch 
O grande trípico de Bosch dá um relato detalhado da criação da criação do mundo antes e depois do homem ter sucumbido aos sete pecados mortais. No Inferno, os tormentos e horrores aguardam todos aqueles que transgrediram e Bosch adequadamente representa figuras distorcidas pela avareza e glutonice, bem como um pássaro gigante se alimentando de carne humana.

Paisagens Antigas

       Até este ponto, no século XV, não havia pinturas de paisagens, Antes da Renascença, as vistas nas pinturas eram bastante estilizadas com árvores que pareciam pirulitos e morros extremamente inclinados que se entrelaçavam, sem convencer, á distância. Pela primeira vez, pintores do norte, em particular dois artistas alemães Lucas Cranach o Velho (1472-1553) e Albrecht Altdorfer (1480-1538), começaram a olhar para as florestas de pinheiros e terrenos rochosos. Ambos os artistas eram parte da Escola do Danúbio, um grupo não fixo de artistas comprometidos com a exploração da paisagem alemã.

        Lucas Cranch, o Velho, era apenas um ano mais jovem que Dürer, mas sua obra não revela o mesmo grau de dedicada concentração como a do jovem artista, apesar de também produzir obras com um grau impressionante de detalhes naturalistas. Apesar de não produzir paisagens puras, Crach retratou as escuras florestas onde cresceu com uma importante característica de sua obra. Alguns dos nus de Cranach pareciam artificiais e desengonçados, apesar de ocasionalmente ele conseguir integrar as figuras com mais sucesso em seus cenários rurais.
        Albrecht Altdorfer não era um viajante, ao contrário de Durer, cujas aquarelas topográficas dos Alpes muito admirava. Entretanto, fez viagens frequentes ao longo do rio Danúbio para fazer pinturas nas quais a paisagem é o único foco de atenção.
         Em O Valle do Danúbio, não há ninguém, apenas uma vastidão de céu no qual as nuvens estão se acumulando; a densa floresta está contemplativa, e há uma vista distante de montanhas azuis. O efeito geral é romântico, e ainda assim há um ar sutil, quase imperceptível de presságio. Aqui Altdorfer se torna o primeiro artista verdadeiro a entender o impacto emocional e esmagador da paisagem. Outras obras mostram pequenas figuras diminuídas pela natureza, apesar de que em algumas cenas de batalhas épicas o efeito geral é menos expressivo e mais moralmente rígido.


 

Caçada ao Cavalo do Eleitor Frederick o Sábio, 1529 Lucas Cranach, O Velho
 Como Pintor da corte do eleitor da Saxônia, Cranach era compromrtido com o fornecimento de retratos do governante e sua família para a corte assim como registros de ocasiões especiais. Esta ilustração de uma caçada registra como cavalos eram perseguidos pela água para que os cavaleiros pudessem capiturá-los mais facilmente.



O vale do Danúbio próximo DE Regensburgo, 1520 Albrecht Altdorfer
Ao criar uma paisagem vazia de pessoas ou construções e enfatizando as qualidades românticas da luz e do espaço, Altdorfer foi um dos primeiros artistas a compreender o enorme poder emocional da paisagem pura. Altdorfer se tornou um cidadão de Regensburgo em 1505, e mais tarde um inspetor das construções da cidade.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Observação e Obsessão

  O principal artista do Renascimento Nórdico, Albrecht Dürer (1471-1528), nasceu em Nuremberg Seu pai era um ourives que o ensinou como desenhar com prata. Como a linha não podia ser facilmente apagada, este método forçava o artista a desenvolver uma técnica linear excelente. Isto inspirou uma dedicação a uma observação acurada e desenhos exatos que foram reforçados por influências anteriores. Entre estas se incluíam um período de aprendizado em 1484 com Michael Wolgemut, o principal pintor e ilustrador de Nuremberg na época Dürer aprendeu as técnicas de xilogravura com este mestre.
   Dürer gozou de grande sucesso desde cedo em sua carreira e foi rapidamente reconhecido como principal artista da Alemanha por sua habilidade como desenhista. Suas produções eram prodigiosas; completou mais de 200 xilogravuras durante sua vida. De 1496 em diante, fez várias viagens à Itália onde foi profundamente afetado pelas mudanças revolucionárias que estavam ocorrendo. Ao contrário de vários artistas do Renascimento Nórdico, estudou artistas tais como Leonardo e Bellini, cujo uso da cor particularmente admirava, e produziu várias pinturas a óleo mostrando a influência italiana. O que é mais distintivo em toda a obra de Dürer é sua obsessão, revelando um incansável desejo de expor a verdade interior do assunto retratado.
    Dürer produziu vários autorretratos, o que por si só era algo bastante novo. O autorrente de 1498 mostra o artista como um viajante digno, confiante - com cachos, vestido com roupas finas e nobres e posando na frente de uma paisagem na qual as distantes montanhas cobertas de gelo lembram suas viagens aos Alpes. Dürer claramente via a si mesmo como um homem da Renascença; era profundamente curioso sobre o movimento intelectual da Renascença e escreveu tratados sobre o assunto. Significantemente, ele foi principalmente responsável pela introdução, no norte, das ideias e realizações renascentistas descobertas no sul. A fama real de Dürer resta, entretanto, em seu trabalho gráfico detalhado - as águas-fortes, xilogravuras e aquarelas - que demonstram sua habilidade singular para retratar o mundo ao seu redor com acuidade científica, assim como sensibilidade e graça.


> Jovem Lebre, 1502 Albrecht Dürer

Neste intenso estudo em aquarela, Albrecht Dürer pinta uma jovem lebre a partir de um modelo vivo. Jovem Lebre é um elegante exemplo de ambos os poderes extraordinários de Dürer de observação e sua habilidade de ir além de uma mera representação da natureza para transmitir um ar de reverência.




> Autoretrato, 1498 Albrecht Dürer
 Este autoretrato do artista aos 26 anos é um de três que foram preservados. Com seus cabelos em cachos, Dürer aparece da cintura para cima, usando elegante vestimenta preto e branco que o empresta um ar de nobre italiano. Antes disso, pintores nunca haviam sido retratados com tanta elegância e sofisticação.
 

Foco Na Religião

  O novo naturalismo dos Países Baixos, melhor representado Eyck, começou a atrair atenção e, por volta de meados de 1450, sua influência havia se espalhado. Outros artistas flamengos, tais como Rogier van der Goes (1400-1482) e o artista alemão Matthias Grünewald (1470-1528), trabalhavam quase exclusivamente com temas religiosos, usando uma abordagem naturalista que dava ás suas pinturas um ar mais marcado de de propósito do que antes. Enquanto havia algo de artificial na obra de Van Eyck - como se a realidade fosse presa em um vidro - as pinturas de alguns desses flamengos posteriores são mais calorosas, mais emotivas e humanas.
  Van Der Weyden foi um dos artistas que mais influenciaram no século XV. Ele era o pintor oficial da corte do Duque de Borgonha, Filipe o Bom, e suas pinturas eram enviadas para a Espanha e a Itália, fazendo com que sua reputação se espalhase mais ainda. Sua obra foi celebrada pela sua atenção aos detalhes e emoções expresivas que comseguiu obter através de suas representações amocionantes de cenas religiosas importantes.Em composição de larga escala, como Deposição ou pietà, Van der Weyden organiza seu grupo de figuras em um espaço pictório superficial de forma que a atenção seja concentrada na dor marcada em seus rostos.
   Esta intensidade emocional é também encontrada na obra de Hugo van der Goes, que fez pinturas de larga escala de cenas religiosas, incluindo o retábulo Portinari, com suas figuras monumentaisreunidas ao redor do infante Cristo. Outros artistas do norte menosconhecidos fizeram pinturas religiosas, mas poucos foram tão bem sucedidos em combinar o detalhe realistico encontrado nas obras de Van Eyck com o poder expressivo de Van der Weyden ou de Van der Goes.
   O pintor cuja obra articulou as visões religiosas mais sombrias foi Matthias Grünewald, um artista alemão que se concentrou em temas do sofrimento humano. Sua obra de arte, o retábulo para a igreja do hospital em Isenheim, na Alsácia, mostra em detalhes brutais a agonia que Cristo sofreu na cruz, seus membros contorcidos, seu corpo retorcido coberto de lacerações.





> Deposição 1435 Rogier Van der Weyden
Deposição concentra nossa atenção na dor. A carga emocional da pintura é aumentada pelas poses dramáticas, especialmente a de Maria, cuja forma desmaiada ecoa o corpo agredido de seu filho.

< A Adoração dos Pastores (Retábulo - painel central), 1476 Hugo Van Der Goes. 
 Comumente celebrado como sua obra máxima, este grande tríptico da Natividade foi encomendado por Tommaso Portinari, um agente da família Médici, para a igreja do Hospital de Santa Maria Nuova em Florença. Van der Goes revela boa organização dos grupos de figuras, e uma observação apurada em sua representação de individuos, particularmente dos pastores maravilhados. 


 

Claridade e Naturalismo

As pinturas que começaram a aparecer nos Países Baixos no Começo do século XV Continham uma nova profundidade extraordinária de realidade pictórica. Rejeitando os elementos decorativos e elegantes do estilo gótico do século anterior, estas obras ofereceram uma janela para o mundo real, oferecendo visões de cenas de interiores cotidianas e produzindo superfícies em detalhes meticulosos. Não houve melhor expoente do novo naturalismo do que o mestre flamengo, Jan van Eyck (1390-1441).
   Van Eyck retratou o mundo com um grau impressionante de detalhe em grande parte por causa de sua maestria com a pintura a óleo. Trabalhando com seu irmão Hubert, Jan van Eyck ezperimentou com pigmento de óleo, misturando as cores com diferentes óleos, no lugar do ovo que havia sido usado até então por artistas trabalhando com têmpera. Este meio transparente e pioneiro o permitiu criar superfícies perfeitas ao construir camadas translúcidas de cor, que forneceu uma intensidade vívida e luminosa a suas pinturas.
    A mais excepcional obra de Van Eyck, O casamento dos Arnolfini, mostra toda a extensão de sua virtuosidade técnica. O retrato de um mercador de seda e sua noiva é o primeiro retrato contemporâneo duplo e inteiro no Norte, assim como um registro de um casamento na Idade Média. Apesar de Van Eyck ter provavelmente recriado a cena para pintá-la, a obra tem um ar de documentário (podemos ver o artista e outra possível testemunha da cerimônia na reflexão convexa do espelho). A "ação" se realiza em um interior tão ricamente detalhado quantos muitos outros interiores na pintura holandesa do século XVII. Van Eyck representa o casal, o interior do cômodo e os vários simbolos dentro dele com lucidez singular. Detalhes, tais como a luz pendurada no teto perfeitamente calculada em um espaço que se afasta, a vista aérea dos sapatos abandonados em contraste de sombras e a fruta no beiral da janela combinam para indicar o aparentemente infinito potencial da pintura para mostrar o mundo como realmente é.



> O Casamento Dos Arnolfini

Um retrato duplo de Giovanni di Nicolao Arnolfini e sua esposa em um cômodo no segundo andar, mais provavelmente em sua casa na cidade flamenga de Bruges. O rico casal havia casado na realidade anos antes da pintura, de forma que não fornece um registro do evento como se acreditava, mas foi talvez encomendado como celebração do evento original.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Renascimento Nórdico I400 - I600

     Enquanto a Renascença ganhava força na Itália, mudanças também ocorriam nos Países Baixos e Alemanha, apontando para uma nova era na pintura. Apesar de haver evidências de que artistas das cidades nórdicas como Gante, Antuérpia e Bruges sabiam da existência das grandes inovações na Itália, suas obras mostram diferenças marcantes em relação às suas contrapartes do sul. Na Itália, a Renascença foi inspirada pelo humanismo e um renascimento da antiguidade clássica; os artistas nórdicos estavam menos preocupados com a obtenção de uma harmonia e beleza ideais do que os artistas italianos. Ao longo do século XV, a arquitetura nórdica continuou a parecer com o estilo gótico do século anterior, que foi caracterizado pelos arcos em ponta, rica ornamentação e tetos abobadados. Na pintura, os artistas nórdicos estavam lentamente começando a se liberar da tradição gótica, rejeitando a elegância palaciana e obras decoradas em excesso que estavam, até então, com alta demanda.
   No norte, as mudanças se realizam contra um pano de fundo de reforma religiosa e revolta contra a Igreja. Os aspectos revolucionários do movimento italiano, tais como as descobertas científicas da perspectiva e anatomia, interessavam os artistas do norte menos do que uma aspiração para reproduzir o mundo natural em toda sua beleza. Os artistas do Renascimento Nórdico fizeram avanços extraordinários no naturalismo; suas pinturas eram um espelho do mundo com cada folha, cacho de cabelo e pedaço de tecido aveludado reproduzindo em detalhes requintados.
   O método preferido dos artistas italianos era usar a têmpera, um meio no qual os pigmentos eram suspensos em gema de ovo ou ovo inteiro de secagem rápida.




I400

Geoffrey Chaucer, autor de Os Contos de Cantuária (the Canterbuy Tales), more em Londres.

I400-I425
Yong Le, 3º Imperador Ming, construiu a Cidade Proibida em Pequim, usando 200.000 operários.

I400-I500
Em Veneza, Giovanni Spinetti produziu o primeiro piano, a "espineta".

I436
Jahannes Gutenberg inventou o tipo móvel. Os primeiros livros foram impressos em restos de papel.

I444
Pela primeira vez, escravos foram levados da África para Portugal.

I45i
A Biblioteca do Vaticano foi fundada.

I500
A população total do mundo chegou a 400 milhões, com um quarto na Europa e na Rússia.

I5II
O rei Ferdinandi da Espanha anunciou: "Tomem posse, humanamente se possível, mas no pior dos casos, Tomem ouro".

I545
O primeiro jardim botânico europeu foi estabelecido em Pádua.

I564
William Shakespeare nasceu.

I588
A armada espanhola partiu de Lisboa para a Inglaterra, com 30000 homens a bordo de 130 navios.



domingo, 3 de junho de 2012

Cores e Luz Veneziana

Enquanto a escola em Florença foi importante para o grande florescimento da Renascença Italiana, a escola em veneza desenvolvia algumas inovações importantes também. Ao final do século XV, Veneza era uma cidade-estado poderosa e independente bem como uma parte importante da rota de comércio de pigmentos, temperos e sedas. Uma das maiores influências em Veneza no fim do século XV foi a escola de Pádua, em particular os efeitos esculturais e tridimensionais realizados pelo grande mestre da perspectiva, o pintor Andrea Mantegna.
   Ao mesmo tempo, Antonello da Messina (1430-79) introduzia a técnica de pintura a óleo de Van Eyck à Veneza. Messina se deparou pela primeira vez com pinturas a óleo pelo artista holandês em Nápoles, e usou a técnica em seu próprio trabalho com sucesso - principalmente retratos e obras religiosas. Até este ponto, os artistas italianos tinham trabalhado principalmente com têmpera, um meio de secagem rápida na qual os pigmentos são suspensos em gema de ovos. A pintura a óleo, por outro lado, é de secagem lenta e isto tem a vantagem de criar um grau maior de realismo, pois os artistas podiam criar imagens mais lentamente, camada por camada.
    Messina passou seu conhecimento de pintura a óleo para Giovanni Bellini (1431-1516), que se tornaria um dos artistas mais importantes da escola de Veneza. Bellini adotou a técnica de verniz a óleo e a passou para seus famosos alunos, primeiro Giorgione (1477-1510) e mais tarde Ticiano (1488-1576). Bellini pintou principalmente temas religiosos, mas demonstrou habilidade para criar harmonia lírica entre suas figuras e cenário.
     O estilo maduro de Bellini impressiona por causa de seu alto grau de realismo e variação sutis de tom e cor. Em O Doge Leonardo Loredan, 1501-1504, Bellini mostra o governante de Veneza como uma pessoa sábia, sensivel e digna. Não havia retratos que expressasem tanta inspiração ou sentimento antes. Esta sensibilidade veneziana pela luz e cor pode ser encontrada também na obra de Giorgione, cuja vida permanece um enigma. Suas pequenas pinturas a óleo altamente coloridas e atmosféricas, geralmente pintadas, em sua maior parte, para colecionadores particulares abastados.



 > A Tempestade (detalhe), 1510 Giorgione
Os historiadores de arte têm debatido por muito tempo o significado do enigmático primeiro plano de A Tempestade, com suas pequenas colunas, um soldado e uma mulher seminuaamamentando seu filho. Em segundo plano, o clarão de um raio enche a cena com uma sensação de agouro.



> O Doge Leonardo Loredan, 1504 Giovanni Bellini
 O retrato sensível de Bellini do poderoso governante vai além de mera adulação. Bellini usa sua inspiração e habilidade para transmitir no rosto do Doge uma mistura de emoções - compaixão, inteligência e confiança - com uma quantidade mínima de informação.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Beleza e Harmonia Clássica

   o filho de um pintor, Rafael (1483-1520), nome verdadeiro Raffaello Sanzio) foi, junto com Leonardo e Michelangelo, um dos três grandes mestres da Renascença Italiana. Mais jovem que Leonardo e Michelangelo, Rafael se mudou da pequena cidade de Urbino para Florença em 1504 onde estudou suas obras, rapidamente percebendo a extensão da transformação que estes dois estavam causando em toda a concepção da pintura.
    Em Florença, Rafael, como Bllini, foi um pintor de Madonas ou Madonniere. Nestas primeiras pinturas, a Virgem é mostrada como uma figura suave, gentil, completamente imersa em cuidar de seu pequeno Cristo, com uma paisagem idealizada e harmoniosa se estendendo por trás. Estas obras revelam a maestria de composição e serenidade, apresentando uma visão tranquila do mundo.
    Esta calma perfeita e sensação de bem-estar separam a arte de rafael da abordagem mais intelectual dos dois outros grandes mestres da Renascença Italiana. Michelangelo era supostamente invejoso da maneira calma e elegante de seu rival mais jovem, acusando-o de roubar suas ideias. Mas enquanto as composições de Rafael e suas habilidades com a pena podem dever muito a Leonardo e Michelangelo, foi sua extrema sensibilidade para as cores e harmonia emocional que constituiu sua contribuição singular.
    Em 1508, Rafael decorou os apartamentos papais Stanze, no Vaticano, para o Papa Júlio II. A Escola de Atenas na parede principal na Stanza della Sagnatura, com seus vários grupos de estudiosos em um grande ambiente arquitetônico, é o mais famoso destes afrescos. Nos seus últimos anos em Roma, Rafael também pintou retratos admirados por sua sutileza e caracterizações precisas, além de projetar interiores para outros romanos ricos. Sua obra revela uma grande confiança; nas composições, dignidade e graça combinam com um ar de calma. As evocações de Rafael da Era Dourada clássica se tornariam o mudelo de estudo nas academias.
    Sua obra também foi uma grande fonte de inspiração para os grandes pintores clássicos de séculos posteriores tais como Poussin e Ingres. Supostamente, a corte papal ficou desolada ao saber de sua morte prematura por febre aos 37 anos.



> A Escola de Atenas (detalhe), 1509-11
 Um afresco formando parte de uma comissão de Rafael para decorar os quartos no palácio Apostólico no Vaticano. Platão e Aristóteles são mostrados no centro, envolvidos em um debate filosófico, cercados por um grupo dinâmico de figuras representando os vários assuntos que precisam ser dominados para o aprendizado clássico tais como a astronomia, a geometria e a aritmética.





> Santa Catarina de Alexandria, 1507-8
 Uma composição tipicamente barmoniosa combinando a graça e um ar de calma, mas que se transforma em mais dinâmica pelo olhar de Santa Catarina em direção aos céus. Ela é representada se inclinando na roda sobre a qual está condenada à morte, mas que foi miraculosamente destruída por um raio.



Introdução

Este livro foi organizado de forma a mapear uma história popular da pintura no mundo ocidental, dos tempos medievais até aos dias de hoje. Ao invés de concentrar nos detalhes biográficos dos indivíduos e suas contribuiçõesespecíficas, examinei em detalhes onde os artistas estão localizados no tempo, com quaismovimentos se associaram e quem ou o que os inspirou a trabalhar da forma como o fizeram.
Não é uma tarefa fácil apresentar a pintura como uma história cronológica de estilos e movimentos. A história da pintura não é um assunto simples e organizado. Rótulos são inconsistentes e frequentemente se sobrepõem. Às vezes é dificil separar exatamente quem pertence a qual movimento e se o fato de pertencerem a um grupo particular em algum momento em sua carreira foi relevante em seus trabalhos posteriores, e talvez mais maduros. Em alguns casos, pintores foram reunidos dentro de uma categoria, não necessariamente porque trabalhavam juntos ou até mantinhamalgum contato,mas porque suas obras compartilham temas e ideias comuns.


A. N. Hodge, London 2007

O Renascimento Italiano I250-I550


   No período medieval tardio, a partir de cerca de 1000 d. C a pintura era realizada principalmente nos monastérios. Aqui, os monges usavam folhas de ouro e uma série de imagens estilizadas para decorar manuscritos, enquanto as paredes seriam decoradas ocasionalmente com alguma cena simples da bíblia. A maior parte se não todas, das imagens que eram produzidas durante esta época, era religiosa. Não houve retratosde fato até o final da Idade Média, assim como nenhuma paissagem e muito poucas tentativasde desenhar cenas a partir da realidade objetiva. Consequentemente, não havia pinturas de grande significação. Havia escultores no século XIII nas cidades com catedrais como Strasbourg e Naumburg, cujo conhecimento do corpo humano os levou a criar estátuas naturais e convicentes, mas isto não acontecia com a pintura. A pintura era desinteressante e sem vida.
Tudo isso mudou com a chegada de Giotto em Florença. A obra de Giotto não apenas apontou para um completo rompimento com a tradição, mas teve uma influência de grande projeção nas gerações subsequentes de pintores florentinos e depois na arte ocidental. Giotto criou uma abertura que o mundo nunca havia visto antes. Suas figuras não eram mais recortes de papelões rígidos, mas tinham solidez e profundidade tanto em termos físicos como emocionais. Com seu dom para retratar uma grande variedade de emoções humanas, Giotto foi capaz de transmitir histórias religiosas deforma convincente, poderosa e profundamente compassiva. Pela primeira vez, o observador poderia sentir compaixão por personaens-chave na narrativa e o impacto que esta abordagem radical teve na pintura não poderia ter sido maior.

Masaccio foi o próximo pintor a acompanhar e a se ocupar de alguns dos desafios artísticos propostos por Giotto. Não era, obviamente, uma corrida de revezamento com o bastão sendo entregue de um artista para outro - mas mais um processo que evoluiu com os avanços cada vez mais rápidos que estavam sendo feitos nos mundos paralelos da ciência, literatura, arquitetura, música, invenções e descobertas. Pela primeira vez, estes mundos paralelos começaram a se convergir - bastante literalmente, com a descoberta da perspectiva de um só ponto. Foi o arquiteto Brunelleschi que desenvolveu a ideia de que para dar a uma imagem profundidade era necessário que suas linhas convergissem em direção a um único ponto distante. Isto, por sua vez, inspirou Masaccio a experimentar uma perspectiva rudimentar em suas pinturas, dando a elas uma qualidade monumental e escultural e contribuindo para a ilusão de espaço real.
Continuando a partir de Masaccio,outros artistas tais como Uccello, Mantegna e Piero della Francesca levaram estas ideias experimentais um pouco mais longe, sempre acrescentando ao conhecimento técnico de como criar uma imagem convincente, ou um espelho da realidade. O período conhecido como Alto Renascimento - isto é, entre 1500 e 1520 - foi quando os três grandes artístas, Leonardo, Michelangelo e Rafael, estavam no auge de suas forças criativas. Florença ainda era o principal centro de atividade artística, mas nesta época Roma e veneza estavam começando a florescer. Em Florença, leonardo em particular, desenvolveu os primeiros conceitos cientificos e matemáticos em uma incansável busca intelectual que era parte de sua própria prática artística. Tudo existia para ser descoberto, nada poderia deixar de ser questionado.
de Leonardo da Vinci 
A Mona Lisa de Leonardo abriu possibilidades para uma nova maneira de olhar para as artes plásticas. Provavelmente ainda o mais famoso retrato na história da arte como um todo, seu sorriso enigmático e traços suaves devem ter sído impactantes para o público da época, acostumados com rígidas madonas com halos dourados.




I254
Nascimento de Marco Polo, que levaria o macarrão da China à Itália.
I297
Magna Carta, confirmada por Eduardo I - entra no código civil inglês como lei.
I347
Peste bubônica na Europa; originária da Índia, 1332. 75 milhões de mortes.
I430
Joana D'Arc capsturada, levada à Inglaterra. Mais tarde queimada em Rouen, França.
I454
Itália dividida em cinco grandes regiões: Veneza, Milão, Florença, Estados Pontifícios e Nápoles. 

I492
Colombo parte de Polos, Espanha, em busca das Índias e descoberta da América.

I510
Espanha inicia colonização da Jamaica. Dias anos mais tarde, de Cuba.

I513
Vasco Núñez de Balboa nameia grande massa de água como (o) "Pacífico".

I519
Cortés leva cavalos árabes da Espanha para as Américas.

I544
Sebastião Cabot publica um mapa do mundo com detalhes extraordinários.

I555
O tabaco é levado pela primeira vez das Américas para a Espanha.

Giotto e os primeiros Afrescos



    É dificil de saber por onde começar quando se trata da história da pintura ocidental.
Houve pintores antes de Giotto, mas o que ele conseguiu com suas composições simples e atemporais colocaria a arte ocidental em um novo curso, se tornando algo como uma lenda em seu próprio tempo. Produziu obras para o Papa e o Rei de Nápoles e é mencionado na Divina Comédia de Dante.
    Giotto di Bondone (1267-1337) era o filho de um fazendeiro florentino. Nascido na pobreza, Giotto foi descoberto pelo pintor Cimabue ao desenhar o retrato perfeito de uma ovelha em uma rocha. Giotto aprendeu rapidamente com seu novo mestre e, não muito tempo depois, administraria seu movimento ateliê e aceitaria contratos para decorar as paredes de construções religiosas em Florença e outras cidades italianas.
     Grande parte de suas obras foi feita em afrescos. Este método de pintar envolve a aplicação de pigmentos com base em água diretamente no gesso úmido; a tinta e o gesso então se misturariam ao secar.
     A técnica havia sido usada para decorar capelas e outras construções religiosas por toda a Itália. A maior realização de Giotto foi uma série de afrescos que pintou no interior de Scrovegni, ou Capela Arena, em Pádua, retratando cenas da vida de jesus e da Virgem Maria. Também pintou o ciclo de São Francisco de Assis para a Igreja Superior em Assis.
     Mas é pela contribuição de Giotto para o desenvolvimento da figura humana na pintura o motivo pelo qual será para sempre reconhecido. Ele se libertou da tradição bizantinado uso de figuras estilizadas, dando ás figuras em suas pinturas um grau muito maior de realismo. Olhe para qualquer grupo de pinturas em uma obra de Giotto e encontrará emoções reais em seus rostos; conseguiu retratar uma série de sentimentos - tais como reverência, tristeza, suspeição, ódio e ciúme - de forma nunca antes retratada. Isto cria uma sensação de compaixão que ajuda a nos envolver com o desenrolar do drama.
     Há também uma grande sensação de movimento nestas obras narrativas examinadas em detalhe. Mãos protestam e se agitam e figuras se curvam e se inclinam com uma sensação acreditável de espaço, peso e distância. Giotto mostra uma sensibilidade real para a cor também, particularmente a forma com a qual interage com a luz. 


Imagens de Giotto e Afrescos
    
Esse afresco de Giotto a morte de jesus e os anjos indo buscar.
    
Adoração dos Reis Magos.


    
Giotto foi o primeiro artista dentro da História da Arte.

Elegância Decorativa Em Siena



  Se Giotto foi o pintor mais importante em Florença durante a maior parte do século xiv, o pintor Duccio di Buoninsegna (1255-1319) foi o principal pintor a surgir em Siena. As duas cidades toscanas de Florença e Siena eram rivais em termos de arte no início do século XVI. A escola sienesa era frequentemente considerada como a mais conservadora das duas, com pinturas que enfatizavam as qualidades decorativas encontradas em mosaicos e manucritos decorados do período bizantino anteror. A tradição bizantina, datada da época do Império Romano Oriental, fundado em 330 d.C., foi principalmente uma arte religiosa que enfatizava uma visão ortodoxa poderosa através do uso de símbolos e figuras estílizadas. Giotto, e até certo ponto Duccio, desenvolveram um estilo mais naturalista que desafia esta convenção ritualística.
   Até mesmo hoje a cidade medieval de Siena é dominada por sua catedral. Por isto, Duccio criou a Maestrà, um retábulo de dois lados com mais de 60 cenas, e que foi instaladalá em 1311. Duccio infunde suas cenas narrativas com um novo sentimento de vida. Há um mivimento real em suas figuras sagradas - não estão simplesmente postas de forma rígida contra um fundo dourado.
   Outros representantes da escola sienesa incluem o pupilo de Duccio Simone Martini (1284-1344) e Ambrogio Lorenzetti (1280-1348). Simone Martini, cujo trabalho reflete as cores brilhantes e linhas graciosas de seu mestre, foi convocado para trabalhar para o rei francês de Nápoles e mais tarde para o papa em sua corte em Avignon. A maneira refinada e cortês exemplificada pela obra de Martini dominou a arte através da Europa no final da Idade Média.
   Os irmãos Lorenzetti também eram provavelmente assistentes no ateliê de Duccio, mas enquanto Martini pintava com elegância refinada, os irmãos eram influenciados por Giotto e preferiam um estilo narrativo, observador. Ambrogio Lorenzetti pintou a Alegoria do Mau e do Bom Governo, uma série de afrescos para a prefeitura de Siene, entre 1338 e 1340. Esta é uma obraimpressionante e intrincada, revelando uma até então desconhecida maestria do uso da perspectiva em sua representação de pequenas figuras andando pelas ruas inclinadas de Siena.








 
> Maestá (detalhe), 1311 Duccio
Este é o painel central da obra mais celebrada de Duccio, mostrando a Virgem Maria e Cristo em tronos cercados de anjos e santos. Maria sobressai do resto do grupo por seu tamanho e pelo intenso azul ultramarino de sua túnica, que contrasta com os balos, roupas e trono ricamente decorados de ouro. 


 
> Alegoria do Bom Governo(detalhe), 1338 Lorenzetti 
Este detalhe de afresco no palazzo Pubblico Siena mostra parte de uma cena urbana, mostrando uma procissão de noivas e a celebração se realizando em uma pousada. A pintura mural de Lorenzetti teve como intenção mostrar os efeitos que ambas os governos, bom e mau, podem ter sobre uma cidade ou região. 

A Ilusão De Peso e Modelagem



   Com suas várias inovações artísticas, Masaccio (1401-1428) foi um dos mais importantes precursores do renascimento italiano. Outro artísta florentino, sua juventude e aprendizado não são conhecidos, mas pode-se ver em suas primeiras obras que há claramente uma rejeição do estilo gótico linear da arte que havia florescido a partir de meados do século XII. Masaccio levou adiante a preocupação de Giotto com a representação de figuras humanas acreditáveis, mas conseguiu ir além ao aplicar as regras de perspectivas que havia sido desenvolvidas por seu contemporâneo, o arquiteto Brunelleschi. Masaccio também observou as esculturas que estavam sendo criadas na época por Donatello e foi capaz de dar ás figuras a solidez e volume que nunca antes haviam existido na pintura.
      A Expulsão de Adão e Eva, 1425-8, um afresco de um ciclo na Capela Brancacci em Florença, mostra completamente as extraordinárias inovações de Masaccio com luz, espaço e perspectiva. Os corpos de Adão e Eva têm uma qualidade monumental, escultural e parecem existir em três dimensões. Gestos e expressões faciais são cuidadosamente ressaltados pela luz que cai de uma fonte, com a sombra projetada atrás deles contribuindo para a sugestão de volume. A composição é unificada pelo uso da perspectiva de ponto único dos portões. Com realismo, austeridade e sinceridade intensos, é evidente que as pinturas de Masaccio não buscavam encantar e agradar, ao contrário de obras produzidas por muitos artístas anteriores.
       Fra Angelico (1387-1455), um frei dominicano que viveu em um monastério em Fiesole, próximo a Florença, começou a trabalhar como iluminador de manuscritos e há um elemento decorativo, estilizado, que pode ser visto em seus primeiros trabalhos com afrescos. Entretanto, em 1436, Fra Angelico foi incumbido de decorar as celas dos freis no convento de San Marco em Florençacom cerca de cinquenta afrescos. Enquanto estes foram planejados como expressão direta da fé dos freis, também mostram um entendimento básico de perspectiva e de como figuras recuam no espaço. Na última década de sua vida, Fra Angelico viajou para Roma para trabalhar em afrescos na capela particular do Papa Nicolau V no Vaticano.
 
> A Cura de Paládia Por São Cosme e São Damião, 1438-1440 Fra Angelico
São Cosme e São Damião eram irmãos gêmeos que praticavam a medicina na Síria. Esta pequena pintura, um de oito painéis que eram originários de um monastério dominicano em Florença, mostra os médicos realizando uma cara milagrosa. O lado direito mostra São Damião recebendo um presente por seus poderes de cura.
>Expulsão do Paraíso 1427 Masaccio
Parte de um ciclo de afrescos pintados por Masaccio para a Capela Brancacci em Santa Maria del Carmine, Florença. Esta dramática representação do sofrimento de Adão e Eva abriu novos caminhos em seu realismo devido à sua simplicidade e tridimensionalidade do
casal e suas expressões carregadas de emoção.

Perspectiva e Escorço

  Masaccio e fra Angelico haviam começado a fazer uso da perspectiva única, ou de um ponto. Vários outros artistas italianos do século XV também rapidamentenexploraram os novos princípios da perspectiva linear. Este era o sistema no qual as linhas convergiam até um ponto no infinito, fazendo com que as pessoas e objetos recuassem no espaço. A perspectiva geométrica ou linear foi desenvolvida pelo arquiteto Brunelleshi e permaneceu fiel à ideia de como a pintura melhor representou a realidade até o final do século XIX. Paolo Uccello (1397-1475), um pintor florentino aprendiz do escultor Ghiberti, se tornou obcecado com a representação tridimensional na tela plana através da perspectiva. Em nenhum outro lugar esta obsessão é mais aparente do que em A Batalha de São Ramão (1454-7). Estes três painéis, representando a hostil batalha territorial entre os florentinos e os sieneses, foram encomendados pela família Médici para seu palácio em Florença. Este trabalho decorativo, tipo frisa, com suas lanças entrechocando-se e cavalos empinados deu a Uccello a oportunidade de satisfazer seu amor pela perspectiva.
    Escorço, isto é, a aplicação de perspectiva a um único objeto ou figura para criar a ilusão de projeção ou profundidade, apareceu primeiramente em vasos gregos 500 a.C. O mestre do escorço foi um dos primeiros artistas da Renascença, Andrea Mantegna (1431-1506). O pai adotivo de Mantegna, Squarcione, era arqueólogo e pintor, e infundiu interesse pelas esculturas e antiguidades clássicas em seu filho. Em O Cristo Morto (1470), o observador está posicionado aos pés de Cristo, olhando para cima em direção ao corpo truncado e frio confinado à laje, é um dos exemplos mais dramáticos de um escorço de corpo da história da pintura.
    Piero della Francesa (1416-1492) foi influenciado pelos avanços de contemporâneos como Masaccio e Uccello, Mas, além de pintar afrescos, era um extraordinário matemático, tendo escrito tratados sobre geometria e regras de perspectiva. Entretanto, considerar a obra de Piero della Francesca como exemplo puramente de geometria, equilíbrio de espaço, escala e proporção, seria prestá-lo um grande desserviço. Pinturas posteriores revelam sua habilidade consumada para criar uma atmosfera serena, atemporal e espiritual através do uso de cores pálidas e de uma luz sobrenatural e suave.


 
> A BATALHA DE SÃO ROMÃO, 1456 PAOLO UCCELLO
O painel da esquerda em uma série de três parao castelo dos Médici representa o conflito no qual os sineses foram atacados pelos florentinos. T todos os detalhes da obra - desde as lanças cuidadosamente colocadas até as pequenas figuras nos morros ao fundo - foram arranjadas cuidadosamente para maximizar o potencial da perspectiva.

> O CRISTO MORTO, 1470 ANDREA MANTEGNA
Neste retrato de Cristo, a Virgem e São João são mostrados cborando sua morte. Este não é um retrato idealizado: a perspectiva dramática do corpo escorçado, os orifícios nas mãos e pés e a descoloração da pele conferem um realismo de lápide mortuária.

Alegoria e Graça

 
  Sandro Botticelli (1445-1510) nasceu em Florença e passou a maior parte de sua vida na cidade. Na maior parte, Botticelli não foi afetado pela tendência ao realismo que era tão forte em sua época; rejeitou as novas descobertas científicas, prodizindo uma obra que era bastante distinta de seus contemporâneos. Foi ensinado por Fra Filippo Lippi, cujos afrescos graciosos eram um modelo de refinamento, e indubitavelmente influenciou o desenvolvimento do estilo delicado e linear, próprio de Botticelli.
    Botticelli possuia um talento real e incomum para o desenho o que levou a encomendas de patronos, incluindo a família Médici, que queriam que pintasse personagens da mitologia clássica. O governante florentino, lorenzo de Médici, interessou-se pelo paganismo depois que conheceu um grupo de neoplatonistas que haviam rompido com a visão de mundo convencional cristã. Isto levou Botticelli a produzir suas obras pagãs mais famosas, O Nascimento de Vênus e A Primavera. Estas pinturas apresentam cenas mitológicas nas quais bonitas jovens pálidas, alongadas, seminuas em panos esvoaçantes, e com longos cabelos ao vento, flutuam contra uma paisagem sobrenatural. Botticelli estava interessado nos ritmos das linhas e nos arranjos de suas figuras idealizadas; não está de forma alguma tentando convencer-nos de seu peso e substância. É difícil, entretanto, imaginar o efeito que a Vênus de Btticelli teve no público da época. Aqui estava uma mulher nua quase do tamanho real, cuja representação nunca havia sido vista na arte anteriormente.
     A única viagem significativa de Botticelli para fora de Florença foi uma visita a Roma em 1481-2 quando trabalhou em afrescos na Capela Sistina no Vaticano. Administrava um ateliê movimentado e seu talento supremo como desenhista significou que, no auge de sua carreira, seu trabalho era muito requisitado.
     Também produziu retratos e desenhos a tinta para ilustrar a Divina Comédia de Dante. Após a morte de Lorenzo de Médici, seu trabalho se tornou maissóbrio e intenso e, quando as cruzadas estavam no auge, Btticelli destruiu algumas de suas obras anteriores que iam contra os sentimentos religiosos que havia desenvolvido. Apesar de desfrutar de popularidade em vida, morreu na obscuridade.

 
> Madona e Criança com Dois Anjos (detalhe), 1465.
Órfão, Fra Filippo Lippi era um monge cujo talento para pintura aliada a uma fascinação por uma vida mais mundana fizeram com que finalmente abandonasse os mosteiros. Filipo Lippi é conhecido especialmente por seus estudos da Virgem e Criança, os quais, como este busto da Madona, revelam habilidades de desenhista e são geralmente ricos em detalhes ornamentais.

 
> O Nascimento de Vênus, 1485-86 
 Uma das obras mais celebradas de Botticelli: Vênus é soprada até a praia por deuses dos ventos alados, em uma concha, para se recebida por uma ninfa com uma capa de cetim e uma chuva de rosas. Apesar de ser uma celebração da beleza espiritual, era, entretanto, uma imagem pagã produzida no auge da influência da igreja Católica Romana.

Gênio, Desenhista e Inventor Renascentista


 
  Durante o período conhecido como o Alto Renasimento, quando os maiores artistas na história da arte ocidental estavam no auge de suas forças, um em particular se sobressaiu pela pura extensão de seu talento. Leonardo da Vinci (1452-1519) - desenhista, cientista, músico, inventor - foi considerado como um dos maiores artistas da Renascença. Seu método indiscriminado de trabalho, entretanto, deixou para trás muitos trabalhos inacabados e uma série de cadernos cheios de estudos de esqueletos, nuvens, água corrente e flores, bem como observações sobre assuntos científicos como proporção, ótica, geologia e máquinas voadoras.
    Como muitos dos artistas da Renascença, Leonardo aprendeu seu trabalho como aluno de outro artista, Verrocchio. Neste caso, Verrocchio ficou tão impressionado com seu aluno que desistiu de pintar completamente. A partir de 1482, Leonardo passou 17 anos em Milão trabalhando para o Duque de Milão, antes de retornar para Florença onde pintou a icônica Mona Lisa entre 1503 e 1506.
    A Mona Lisa é significativa por várias razões. A pose - com o corpo fazendo um ângulo, a cabeça virada para frente - não havia sido vista antes. A perspectiva aérea da paisagem, e a maneira como desaparece com a distância, também foram avanços notáveis.
    A verdadeira contribuição de Leonardo para a história da pintura, entretanto, foi o que se tornou conhecido como sfumato - da palavra italiana para "esfumaçado" - ou seja, a realização da forma através de gradações tonais sutis, como nos traços suaves do rosto da Mona Lisa.
    Leonardo deixou poucas pinturas autênticas, mas influenciou enormemente seus contemporâneos tais como Correggio, Giogione e Rafael. Ao brincar com os contraste dramáticos entre luz e sombra, Leonardo prefigurou os efeitos de chiaroscuro que se tornariam comuns no periodo Barroco com Caravaggio e Rembradt. Suas composições de grupo finalmente organizadas, onde as figuras geralmente formam uma pirâmide, são características definidoras do estilo da Alta Renascença.
    Leonardo criou pinturas de impressionante beleza e realismo, e ao mesmo tempo, paradoxalmente, ele estava principalmente interessado em solucionar problemas de composição e perseguir uma gama de ideias intelectuais. Ele se juntou à corte do Rei francês Frances I, em 1517, onde sua obra foi grandemente apreciada e admirada. Viveu na França até sua morte.

 
< Estudo Para O Busto De Leda, 1506 Leonardo Da Vinci 
 No mito grego, Leda é seduzida pelo deus Zeus, que surgiu para ela sob a forma de um cisme. Leonardo completou seu desenho dos cabelos traçados de Leda ao desenhar sombreamentos ao longo das linhas das formas, uma técnica que introduziu em seus desenhos pouco antes de 1500.
< Mona Lisa, 1503 Leonardo Da Vinci
A biografia de Vasari sobre Leonardo da Vinci, Publicada 31 anos depois da morte de Leonardo, identifica a modelo como Lisa Gherardini, a esposa de um comerciante florentino abastado. Entretanto, há uma semelhança com o próprio artista, o que levou outros estudiosos a sugerirem que a Mona Lisa poderia ser o retrato de um homem ou até possivelmente um autorretrato.

Corpos Humanos com Forma Escultural

   Como escultor, pintor; poeta e arquiteto, Michelangelo Buonarruti (1475-1564) foi outro artista imensamente habilidoso da Renascença. 23 anos mais jovem que Leonardo, Michelangelo foi criado em Florença. Aqui treinou brevemente com o pintor de afrescos Ghirlandaio, além de receber instruções em escultura sob o patrocínio da poderosa família Médici. Seu talento foi reconhecido bem cedo. Com 19 anos, após a morte de seu patrono Lorenzo de Médici, em 1492, Michelangelo partiu para Bologna, e depois viveu em Roma a partir de 1496, antes de voltar para Florença em 1501.

    No mesmo ano, Michelangelo esculpiu a escultura de mármore Davi em Florença, embarcando em uma permanente exploração de como melhor representar a forma masculina. Michelangelo considerava-se a si mesmo principalmente escultor e teve que ser persuadido a decorar o texto da Capela Sistina no Vaticano com afrescos. A capela havia sido construída pelo Papa Sixtus IV, mas foi seu sobrinho Papa Julius II que encomendou a obra. A Criação de Adão (1508-12) forma o painel central da capela e mostra Deus dando vida a Adão e, metaforicamente, ao resto da Criação. A real contribuição de Michelangelo para a pintura pode ser vista no corpo de Adão, com suas combinações perfeitas de força e graça.
     O primeiro artista - e, muitos diriam o maior de todos - a se especializar em representar o nu masculino, Michelangelo imaginou um esquema brilhante para o teto da Capela Sistina. Seu desenho complexo de cenas interligadas foi pintado com ele deitado de costas olhando para cima por um período exaustivo de quatro anos. A série de narrativas contra a história bíblica do Gênesis até a vida de Cristo. O julgamento final foicompletado separadamente para a parede do altar em 1534. É uma visãomonumental e impressionante que deu ao seu artista o título de o divino Michelangelo, e comprova que sua influência persiste até hoje. Em sua extraordinária dedicação à tarefa de completar a obra da Capela Sistina e seu desejo de confiar em seu próprio gênio inato, Michelangelo fez mais do que qualquer outro artista para elevar as artes da pintura e escultura ao status de Belas Artes.

 
 > A Criação de Adão (detalhe), 1511 

Neste detalhe do painel central do texto da Capela Sistina, o dedo direito de Deus é separado do de Adão por um mínimo ponto de luz. As poses semelhantes de Deus e Adão - suas pernas estão em uma posição quase idênticas - refletem a mensagem do Genesis 1:27, na qual Deus teria criado o homem à sua imagem e semelhança.


 
> O Julgamento Final (detalhe de pecadores sendo puxados para o inferno), 1535-1541 

 Uma visão de pesadelo do apocalipse na qual os corpos se contorcem e convulsionam, com almas subindo e descendo de acordo com a maneira como Cristo julga seus destinos. Uma obra enorme cobre a parede inteira atrás do altar da Capela Sistina e levou seis anos para ser completada. 

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